segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Pesquisadores encontram nova espécie da perereca-de-bromélia no sul da Bahia batizam com homenagem à capoeira

Uma nova espécie da perereca-de-bromélia foi descoberta por pesquisadores na Estação Ecológica Estadual de Wenceslau Guimarães, no sul da Bahia. Ela foi batizada pelos pesquisadores do Laboratório de Herpetologia Tropical da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) como Phyllodytes iuna, em homenagem à capoeira.

Segundo os pesquisadores, na roda de capoeira regional, o toque de “Iúna” é executado para a formatura de alunos graduados ou é reservado para o jogo de professores e mestres. Com essa homenagem, os autores celebram o rico legado afro-brasileiro deixado pelos mestres da capoeira na resistência, consolidação e perpetuação desta arte marcial.

Essa é a quinta espécie do grupo Phyllodytes que a equipe de pesquisadores do Departamento de Ciências Biológicas (DCB) da Uesc descreve ao longo de dez anos de pesquisa de campo. Um dos cientistas, o professor Iuri Ribeiro Dias, é o capoeirista da equipe. O pesquisador contou que sempre teve o desejo de fazer essa homenagem.

“Faço capoeira desde criança e sempre tive vontade de homenagear essa expressão cultural afro-brasileira em alguma das espécies que encontramos aqui no Sul da Bahia”, revelou.

Historicamente, novas espécies de anfíbios eram coletadas por pesquisadores dos grandes centros de pesquisa do sudeste do Brasil, como o Museu Nacional ou o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. No entanto, quando esses cientistas se aventuravam pelas matas da Bahia, costumavam coletar anfíbios nos lugares onde eles esperavam encontrar muitas espécies, ou seja, em brejos e poças.

Isso fez com que um grupo de pererequinhas, que ao invés de se reproduzir em poças, passa toda a vida em bromélias, fosse raramente documentado nessas expedições. "As pererequinhas-de-bromélia são animaizinhos espetaculares. Elas passam todo o seu ciclo de vida em bromélias. Lá elas depositam ovos, nascem e crescem os girinos e depois cantam os adultos", comentou o professor Mirco Solé, do DCB da Uesc.

De acordo com o professor, os girinos de algumas espécies de pererequinhas-de-bromélia prestam um serviço ecossistêmico importante: se alimentam de larvas de mosquito que são potenciais transmissores de doenças como dengue, zika e chikungunya.

"Protegendo as pererequinhas-de-bromélias estaremos também protegendo a nossa própria saúde", afirmou. A Phyllodytes iuna é a décima sexta espécie do gênero Phyllodytes no Brasil e a sétima endêmica da Bahia. Os primeiros indivíduos foram registrados em 2015, mas sua descrição formal só foi possível após o encontro de exemplares adicionais, em 2018.

“Apesar dos esforços de coleta em diversas localidades na Mata Atlântica do Sul da Bahia, a espécie ainda não foi registrada em nenhum outro local além da Estação Ecológica de Wenceslau Guimarães", revelou Laisa Santos, membro da equipe e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Uesc.

Embora a equipe do Laboratório de Herpetologia Tropical já conheça a maioria dos cantos dessas espécies no sul da Bahia, os pesquisadores consideram que ainda há muito trabalho a ser feito. “Estimamos que, apenas nessa região, ainda temos mais cinco espécies novas de pererequinhas-de-bromélias para descrever”, disse o professor Iuri Ribeiro Dias.

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