O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso referente às investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo e tornou públicas 52 mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e interlocutores ligados ao ministro Alexandre de Moraes. Um relatório minucioso elaborado pela Polícia Federal revelou que Moraes analisou e realizou edições diretas na minuta de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre a instituição financeira e o escritório de advocacia Barci de Moraes, pertencente à sua esposa, Viviane Barci de Moraes. As informações foram extraídas após o cruzamento de metadados e registros digitais obtidos do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025.
De acordo com o inquérito, as tratativas iniciaram em janeiro de 2024, quando Viviane de Moraes encaminhou a minuta do documento ao banqueiro. A perícia técnica da Polícia Federal identificou que os metadados da versão final do arquivo digital apontam o usuário "Ministro Alexandre de Moraes" como o responsável pela última modificação realizada no texto, feita na noite de 15 de janeiro de 2024. O contrato previa o pagamento de 36 parcelas mensais no valor de R$ 3 milhões cada, estipulando uma prestação de serviços com duração de três anos. Trocas de mensagens obtidas pelos investigadores evidenciam uma preocupação constante de Vorcaro para evitar qualquer atraso nos repasses, que eram classificados em conversas internas como o pagamento mais prioritário da instituição.
A investigação apurou ainda a negociação de um segundo contrato, datado de maio de 2025, envolvendo o escritório e a empresa Vikings Participações, representada por Vorcaro, no valor de R$ 50 milhões. Propostas analisadas pela PF indicavam a quitação de R$ 40 milhões por meio do repasse de cotas de uso de aeronaves executivas — um jatinho e um helicóptero —, além do reembolso de despesas operacionais. Mensagens anexadas ao relatório mostram diálogos em que representantes do banco consultavam a esposa do ministro sobre a aprovação dos serviços de transporte aéreo disponibilizados à família.
O ministro Alexandre de Moraes optou por não se manifestar sobre os achados. Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes esclareceu que submeteu o contrato à avaliação do ministro apenas para que seu setor de conformidade checasse eventuais impedimentos legais, ressaltando que Moraes jamais atuou em processos de interesse do Banco Master no STF. A banca de advocacia declarou ainda que a prestação de serviços do primeiro contrato foi devidamente executada e negou ter concretizado o segundo acordo referente às cotas de aeronaves. O Banco Master sofreu liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no final de 2025 após graves falhas de governança e liquidez.
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