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| Marcone Sarmento em audiência na Justiça em Itabuna || Foto Joá Souza |
Marcones Rodrigues Sarmento, um dos homens envolvidos na execução do jornalista e proprietário do jornal A Região, Manuel Leal, faleceu na madrugada desta sexta-feira (17). Ele estava internado no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães, no município de Itabuna, no sul da Bahia, onde passava por tratamento de saúde devido a graves problemas cardíacos. O corpo de Marcones está sendo velado no SAF, em Itabuna, e o sepultamento está agendado para ocorrer às 16h no Cemitério Campo Santo. Nos últimos anos, após deixar o cumprimento da pena de prisão, ele vinha gerenciando uma cabana de praia no litoral sul da cidade vizinha de Ilhéus.

Historicamente ligado ao grupo político liderado pelo ex-prefeito Fernando Gomes e pela empresária e ex-presidente municipal do partido Democratas (atual União Brasil), Maria Alice Pereira, Marcones tornou-se uma figura de conhecimento público em todo o território nacional no final da década de 1990 devido ao seu envolvimento direto no atentado que tirou a vida do comunicador itabunense. O crime aconteceu na noite de 14 de janeiro de 1998, no bairro Jardim Primavera, em Itabuna, quando Manuel Leal foi surpreendido por uma emboscada armada por criminosos a bordo de uma caminhonete no exato momento em que descia de seu automóvel para abrir o portão do sítio onde residia. O jornalista foi atingido por múltiplos disparos de arma de fogo e morreu no local.
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| Manuel Leal |
A responsabilização judicial de Marcones Sarmento levou mais de duas décadas para se consolidar. Inicialmente, ele chegou a ser submetido a julgamento em 2006, no Fórum Ruy Barbosa, em Itabuna, ocasião em que foi absolvido pelo júri popular. No entanto, diante de fortes evidências de manipulação no processo e após recursos técnicos, aquela sentença foi anulada e um novo julgamento acabou sendo transferido e realizado na capital baiana, Salvador, no ano de 2019. Na nova sessão, o réu foi considerado culpado e condenado a uma pena de seis anos de reclusão, sob a acusação formal de ter atuado como o condutor do veículo utilitário utilizado na emboscada contra Leal.
Apesar de decorridos quase 30 anos do trágico episódio que marcou a história da imprensa baiana e nacional, os mandantes intelectuais da execução de Manuel Leal permanecem impunes, e as investigações oficiais da polícia nunca alcançaram uma conclusão definitiva sobre quem ordenou o homicídio. À época do atentado, o jornal de Leal vinha publicando denúncias severas envolvendo o então delegado especial da Polícia Civil, Gilson Prata, que atuava fortemente sob o respaldo do gabinete do prefeito Fernando Gomes e de sua assessora e secretária municipal Maria Alice Pereira. O delegado, que na ocasião estava cotado para assumir o comando da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), coordenava uma ofensiva política e jurídica contra integrantes da gestão anterior do ex-prefeito Geraldo Simões, movimentações que eram constantemente apuradas e reportadas de forma crítica nas edições do semanário de Leal. Com informações do Pimenta