Uma denúncia de violação de privacidade chocou a capital baiana com a prisão em flagrante do médico ginecologista Hosaná Pereira de Santana, de 57 anos. O profissional foi detido dentro de uma clínica particular localizada no bairro Vila Laura, em Salvador, após ser flagrado filmando uma paciente de 32 anos sem o consentimento dela durante uma consulta. O caso foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), na Casa da Mulher Brasileira, que já iniciou as investigações. O médico, que teve a prisão mantida, passará por uma audiência de custódia neste domingo (12).
A descoberta do crime ocorreu quando a paciente percebeu um detalhe incomum nos óculos utilizados pelo ginecologista. O equipamento possuía uma microcâmera embutida na lateral do aro, frequentemente usada para espionagem. Ao notar que estava sendo gravada completamente nua durante o atendimento médico, a mulher confrontou a situação e acionou imediatamente a Polícia Militar. Na abordagem, o médico entregou os óculos espiões e o seu aparelho celular às autoridades, materiais que foram apreendidos e serão submetidos à perícia técnica.
Em depoimento inicial à polícia, Hosaná Pereira confessou que realizava as gravações das pacientes ao longo dos atendimentos, mas alegou em sua defesa que as imagens eram capturadas exclusivamente para fins científicos, estudos e pesquisas de medicina. Contudo, as investigações apontam que as mulheres não tinham qualquer conhecimento ou ciência de que estavam sendo monitoradas, configurando uma grave quebra de sigilo e violação da intimidade. O ginecologista responderá inicialmente pelo crime de registrar imagens íntimas sem a autorização da vítima, mas a Polícia Civil apura a existência de outros delitos correlatos.
Os investigadores da Polícia Civil têm fortes indícios de que o médico vinha realizando essa prática abusiva há pelo menos três meses, com registros datados desde o mês de abril. A polícia agora tenta mapear o histórico dos dispositivos apreendidos para descobrir se arquivos foram apagados e identificar quantas pacientes foram vítimas do ginecologista nesse período. A expectativa das autoridades policiais é de que, com a divulgação do caso, novas denúncias e possíveis vítimas compareçam à delegacia para prestar depoimento. Além da clínica na Vila Laura, há informações preliminares de que o investigado também prestava serviços em outra unidade de saúde no bairro Santa Cruz.
Diante da repercussão do caso, a Clínica da Família, onde ocorreu a prisão, emitiu uma nota oficial informando que o ginecologista não faz parte do seu quadro de sócios e anunciou a suspensão imediata de todos os atendimentos do profissional na unidade. A empresa declarou ainda que repudia veementemente qualquer tipo de violação da intimidade e se colocou à inteira disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina (Cremeb) instaurou uma sindicância para apurar formalmente a conduta ética e profissional do médico, o que pode resultar na cassação de seu registro profissional.













